Resenha: A Menina Submersa: Memórias, de Caitlin R. Kiernan

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Olá pessoal, como vão vocês? Espero que bem!

Ando muito sumida do blog, mas isso vocês já notaram, não preciso dizer hahaha. É bem complicado administrar um blog sozinha, ainda mais tendo que resolver problemas pessoais o tempo todo, mas vou me organizar melhor e ver os dias em que eu consigo atualizar o blog.

Faz um bom tempo que eu não faço resenhas de livros por aqui, admito que até havia pensado em deletar o Boteco e começar um blog apenas de livros, mas porque começar um blog novo se eu posso fazer tudo isso no B.M também. Enfim, a resenha de hoje é sobre o livro ”A MENINA SUBMERSA – CAITLÍN R. KIERNAN”, o qual eu ganhei de dia dos namorados e consegui terminar a leitura mil anos depois porque nunca me sobrava tempo hahahaha.

”Este livro é o que é, o que significa que ele pode não ser o livro que você espera que seja.”

India Morgan Phelps, também conhecida como Imp, nos conta suas memórias. Todas elas, as que não quer se lembrar e as que não consegue esquecer. São memórias conturbadas e incertas que nem a própria Imp tem certeza da autenticidade delas. Às vezes ela lembra de coisas que não ocorreram, e além disso, nos conta coisas que não são verdades, embora ela nos confesse depois que mentiu. Não são mentiras graves e não afetam a história, mas mostram o que Imp gostaria que fosse verdade e o que gostaria que não fosse. Outro detalhe é que os fatos não ocorrem cronologicamente. Às vezes ela fala sobre algo que ainda vai ocorrer, outras sobre fatos que já ocorreram em eventos que ela já contou, mas havia omitido. Às vezes cita parte de um fato, e mais tarde volta a ele. É um livro que, para algumas pessoas, pode ser um tanto confuso.

É uma leitura extremamente psicológica e intricada que passeia pela mente tortuosa de uma mulher esquizofrênica e obsessivo compulsiva.

Caitlín R. Kiernan tem lampejos de brilhantismo. Além de conseguir convencer na voz da Imp, ela criou uma mulher (sim, a protagonista é adulta) inteligente e multifacetada. Ademais, a autora ainda toca no ponto da transexualidade de forma louvável e livre de julgamentos ao trazer uma protagonista lésbica, com uma parceira transexual, também lésbica.

“Fantasmas são essas lembranças fortes demais para serem esquecidas, ecoando ao longo dos anos e se recusando a serem apagados pelo tempo”.

Vou escrever uma história de fantasmas agora“, e ela escreve. Não fantasmas espíritos de pessoas mortas. Fantasmas são qualquer coisa, sejam pessoas, situações ou memórias, que possam assombrar alguém. “Ninguém nunca dissera que você deveria estar morto e enterrado para ser um fantasma. Ou, se alguém disse, estava errado.

É um livro profundo. Enquanto lia, era como alguém conversando comigo, contando sua vida. É como uma perturbadora auto-biografia. Imp se sente muito sozinha, as pessoas que a fazem bem e que ela passa a amar, vão embora. A única coisa sempre presente é a solidão, por isso ela conversa consigo mesma. Ela escreve, ela lê, debate sobre, reclama com ela própria e fala de si mesma para si mesma na terceira pessoa. É a única forma que ela tem de desabafar.

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“Claro que nunca conheci uma pessoa inocente. No fim das contas, todo mundo machuca alguém, por mais que tente não machucar.”

Na infância, Imp se encantou por um quadro chamado “A Menina Submersa”. Ela o enxergou como uma janela e quase o tocou, se sua mãe não a tivesse impedido. O quadro nunca saiu de sua cabeça. Mais tarde, enquanto convivia apenas consigo mesma e com a solidão, Imp conhece Abalyn, uma garota transexual com quem vive uma história de amor que acompanhamos no decorrer da trama. O papel de Abalyn é extremamente importante. Ela é o alicerce entre Imp e sua loucura. Quando Abalyn não está presente, a loucura de Imp desaba sobre ela. E sobre o leitor também.

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Em um fluxo de pensamentos, por vezes alucinantes, com características reflexivas e filosóficas sobre os temores humanos, A Menina Submersa é uma Ode ao medo. A sensação pura e aterrorizante que podemos encontrar em um momento inesperado, capaz de nos corroer ao longo da vida. O livro é repleto de referências literárias e musicais que inspiraram a Kiernan na construção da trama, além de trazer seus próprios artistas e lendas ficcionais, reunidos devidamente para contar uma história sobre fantasmas, sereias, lobos e pinturas.

“Não vejo muita resolução no mundo; nascemos, vivemos e morremos, e no fim disso há somente uma confusa feira de negócios inacabados.“

A versão original do livro, The Drowing Girl: A Memoir, tem um trailer dirigido pela própria Caitlin R. Kiernan:

Título original: The Drowning Girl, a memoir
Editora: Darkside Books
Número de páginas: 320
Gênero: Romance psicológico/Realismo mágico
Rating: ★★★★★

À venda nas seguintes livrarias:

darksidebooks.com | facebook.com/darksidebooks | @darksidebooks

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